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Testemunhos
     

...E o meu coração de mãe começou a descomprimir-se - Por Conceição Matos

“A minha filha saiu de minha casa, depois do almoço. Ia tomar um café, como de costume, e depois seguia para sua casa. No entanto, ao entrar na pastelaria “STOP” deu um passo em frente e ... viu o tecto rodar... cambaleou e caiu... o resultado foi um coma de um mês, no Hospital S. António dos Capuchos.

A minha filha, de vinte e dois anos, lutava desesperadamente, no seu sono profundo...

Todo o processo de recuperação foi muito, muito, muito lento... tudo mudou na vida da minha filha, resultado de um AVC Hemorrágico, que teve como consequência uma Hemiparésia direita e uma Afasia global: O companheiro deixou-a, teve de abandonar o emprego e vender a casa onde viviam...

Eis que começaram a surgir pequenas melhoras, no aspecto motor, resultado de internamentos, quer no Hospital do Barreiro, quer no Hospital de Reabilitação de Alcoitão e da fisioterapia na Clínica “CENFIS” do Barreiro (de que ainda hoje beneficia)... e o meu coração de mãe começou a descomprimir-se e a dar graças a Deus por me ter “devolvido” a filha e mãe do meu neto com, então, cinco anos.

Durante meses, nem uma palavra lhe ouvimos... “andar” era, para a minha filha, a palavra de ordem, para tudo, só lhe distinguindo o sentido pelas suas expressões faciais e gestuais...

Soube da existência da A.N.A., através de um artigo, que li, no jornal “Euronotícias”. É então, que a minha filha começa a frequentar a Associação... onde dá asas aos seus dons manuais: bordando trabalhos em ponto de cruz, uma actividade, da qual sempre gostou... convive, aprende e diverte-se... dá passeios, sózinha, pelos arredores de casa... o que me parecia vir a ser impossível.

Passados dois anos e meio, após o início do seu problema de saúde, é com muita alegria, que me inunda a alma e o coração que oiço a minha filha chamar-me “mãe”, pela primeira vez, no dia da mãe... o nome do filho (“Fábio”), “avião”, “olá”, “pai”, “São”, “Mena”, “adeus”, “Lisboa”, “amanhã”, “Sónia”, “avó”, “avô”, “Paulo”... e acredito que outras palavras se encontram à espera de sair...”

 

Testemunho recolhido por: Conceição Matos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     
 
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