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Testemunhos
     

“A família foi o melhor que tive!”

Dina, há nove anos atrás, era uma mulher em harmonia com a vida : lutadora, dinâmica, empreendedora... feliz na sua terra Natal, com a família e os amigos... tinha um bom emprego, praticava natação e basquetebol, chegando mesmo a ser campeã, desta modalidade, razão que a fez aparecer nas páginas dos jornais, da época.

Subitamente, foi tomada por dores de cabeça insuportáveis.

“Talvez seja do stress, da agitação, do familiar doente...?!...” – Associava.

Mas, dia após dia, noite após noite... não era natural tal persistência, que a impedia de levar uma vida normal!

Foi a um médico, que lhe recomendaram. E não fosse a Dina referir a sua incapacidade de visão nos quadrantes externos, o médico não lhe teria prescrito exames de despiste e diagnóstico, que vieram a revelar um Meningioma congénito.

A cirurgia era a única solução viável. O tumor foi, parcialmente, extraído.

O pós-operatório, tomou-a de surpresa: sentiu algo de diferente em si... não se conseguia fazer entender... para ela tudo tinha o mesmo nome: “papel”... sabia para que serviam as coisas, mas não o nome que tinham.

A Dina fora tomada por uma afasia.

A angústia de se sentir diferente, transformou-a. A certeza de uma nova cirurgia... levou-a a isolar-se de tudo... sentia-se desesperada, impotente, distante de si mesma... até mesmo, incapaz de se imaginar de exercer uma profissão...

A afasia impedia-a de poder usufruir dos prazeres da leitura, da escrita, do convívio com as pessoas, dos passeios... que eram a sua maior paixão.

Os sonhos afastavam-se dela como as palavras e a família se aproximavam cada vez mais, transmitindo-lhe amor, força, confiança e esperança. “A família foi o melhor, que tive!” – refere.

Mas, apesar disso, as palavras continuavam a traí-la, quando colocava questões ou dava respostas sem nexo.

A força, que a caracterizava, não se esvaiu... com este apoio e amor incondicionais conseguiu, aos poucos, sair de casa e frequentar actividades adaptáveis à sua perturbação... trabalhos em vitral, pintura, porcelana, arraiolos (...)

A necessidade de trabalhar impôs-se à sua limitação... aos seus sonhos...

Depois de um percurso profissional atribulado, apenas há um ano atrás, Dina, concretizou o tão almejado sonho, na área em que se licenciou.

Neste momento, Dina sente-se realizada.

 

 

 

 

     
 
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