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Testemunhos
     

“Isolou-se, durante muitos meses, mas agora gosta de conviver” - Por Conceição Matos

O Ernesto é um homem muito simpático, introvertido e de uns lindos olhos azuis.

Um azul tão transparente, que não apetece desviar o olhar! É calmo e sereno...

Talvez ele não se tenha dado conta da mudança que estava a acontecer em si, mas a sua esposa, sempre atenta, não deixou escapar as dificuldades de compreensão, que assaltavam o seu marido e que se manifestavam em não conseguir ler o jornal, não perceber as notícias do telejornal... começou a pedir ajuda para escrever cartas, a não querer sair de casa, nem sequer para ir tomar um café com os amigos... Em suma, deixou de conviver.

A esposa marcou logo consulta para um neurocirurgião que lhe diagnosticou a Doença de Alzheimer e lhe prescreveu medicação adequada. Mas não era Alzheimer, não se vislumbraram melhoras...

A filha e a esposa decidiram ir a outro médico, que lhe mandou fazer meios complementares de diagnóstico, nomeadamente um T.A.C., ressonância magnética, entre outros. O veredicto fo o de que o Ernesto tinha afasia. “Um caso raro, de um entre cem, causa este tipo de afasia.” – referiu o médico.

Um envelhicimento cerebral, com discurso pouco fluente, presença de sinais fásicos, compreensão de ordens complexas...

O que mais o angustiou, como consequência deste processo foi a “inibição” para conduzir. O Ernesto era motorista de profissão, por essa razão esta decisão da família foi demasiadamente difícil de aceitar. Inicialmente enervava-o ficar dependente da filha ou da neta para ir a qualquer lado. Antes ficar em casa. O Ernesto continua a ter carro, põe-no a trabalhar e assim fica alguns minutos, a sonhar que está a fazer uma longa viagem...

Isolou-se, durante muitos meses, mas agora gosta de conviver.

A família esteve sempre presente a apoiá-lo. Os amigos, fizeram de tudo para o ajudar e entender, nomeadamente o José Manuel e o Fernando.

Foi numa das idas ao Hospital Amadora-Sintra, aquando de uma consulta de Neurocirurgia que avistaram sobre uma mesa, uma revista da Associação Nacional de Afásicos e questionaram o médico sobre a sua credibilidade, pelo que este respondeu que deveriam ir, para conviver...

E assim foi... O Ernesto vai com muita frequência à A. N. A., e encontra-se mais desinibido e trabalha nas várias actividades com as outras pessoas com afasia: faz Espanta-Espíritos, lixa, pinta, faz quentes, flores... participa em jogos... Basta ouvi-lo dizer: “Sinto-me bem!”

 

 

 

 

     
 
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