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Precisamos de falar

(Expresso – 2005)

Precisamos de falar, escrever, ler… precisamos dos outros… que aconteceria se se perdesse tudo isto de um momento para o outro?

A Associação Nacional de Afásicos (ANA) existe há quinze anos, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, cujos objectivos são os de divulgar a perturbação da afasia, esclarecer a comunidade e os profissionais de saúde das capacidades e dificuldades das pessoas, que sofrem desta perturbação e, sobretudo, minimizar a dor da perda de algumas capacidades de comunicação…

A afasia é a mais destrutiva barreira à comunicação humana, porque as palavras emitidas traem o que a mente quer debitar.

Mas, o que é, de facto, a afasia? A afasia é uma perturbação na comunicação devido a uma lesão cerebral, ou melhor, devido a um AVC, um tumor cerebral, um aneurisma, um traumatismo craniano, demência… o doente pode ficar com perturbação na comunicação, que se manifesta de uma forma tão cruel, que a pessoa chega a ser olhada como uma demente ou um pobre diabo, porque diz palavras sem nexo, cria neologismos, troca o nome das coisas, não escreve ou lê, o que lê e escreve não faz sentido… podem ter dificuldade em entender o que lhe dizem e em explicar o que querem dizer. E, para um interlocutor é muito complicado, porque não está (ou pode não estar) minimamente preparado para enfrentar uma situação destas. Então, os amigos, afastam-se, a família perde a paciência… e o afásico isola-se, deprime-se, perde a sua auto-estima, sente-se desamparado, desesperado…

O que é pertinente saber é que o afásico não perdeu a consciência, as suas capacidades cognitivas, nem a sua personalidade… é um ser humano, que mantém intactas todas as suas capacidades intelectuais e, como tal, vivem um conflito absolutamente digno de respeito pela gravidade da sua natureza.

Costumo comparar a afasia a um texto que se escreve no Word. O texto está impecavelmente bem elaborado, com inteligência e graça… e é esta clareza que se encontra na cabeça de um afásico. Agora, vamos à impressão desse texto… sai um texto com palavras que conhecemos, outras repetidas ou neologismos… e é isto que sai da boca de alguns afásicos e do resultado da escrita de alguns afásicos…

QUE FAZER? Amor, carinho, compreensão, estimular a sua auto-estima e independência é o que é preciso fazer para que o afásico derrube a prisão, que o sufoca, avance e viva feliz, ainda que essa vida possa não passar por uma reintegração no local de trabalho, já que ficam mais ou menos incapacitados (dependendo do tipo de afasia) para o exercício de várias profissões (Médico, Advogado, Jornalista, Actor, Professor…), até para o exercício de actividades domésticas, como acender o fogão… porque é como se lhes amputassem a capacidade de comunicar… logo, de trabalhar, e de fazer uma série de coisas, que sempre gostaram de fazer (ler, cozinhar, conversar, jogar…) e, aqueles que deixam de poder trabalhar, vêem a redução nos seus rendimentos… e, como se não bastasse, não têm nada que os distraia ou lhes ocupe o tempo…

Um afásico comunica como sabe: Desenhando, gesticulando, por sons, tendo um caderno onde há fotografias de roupas, de calçado, comida, bebidas, objectos… a fim de que possam recorrer quando a palavra está na “ponta da língua” e não sai

É a família, o Terapeuta de Fala e, sobretudo, os amigos quem deve apoiar o afásico… não importa se vale a pena investir por causa da idade ou por causa de outras patologias associadas… E SE FOSSE EU??? Não gostaria que desistissem de mim. O problema, aqui, é que esta situação gritante pode acontecer a qualquer momento e a qualquer pessoa de qualquer idade…

Por isso a ANA fomenta Terapia de Fala e Ocupacional, o Grupo de Entre-ajuda (a afásicos e familiares), Férias… cria e desenvolve as estruturas necessárias para a realização de cursos práticos, que permitam um melhor aproveitamento profissional e vocacional dos associados afásicos e, fundamentalmente, luta para que a pessoa com afasia seja respeitada.

A ANA vive de verbas financiadas pelo SNRIPD (para o funcionamento e alguns projectos), pela CMLisboa, por algumas Juntas de Freguesia, quotas e pequenos donativos…

No entanto, para alargar a Associação a outros núcleos nacionais, aumentar a oferta da Terapia de Fala, proporcionar maior qualidade de vida, nomeadamente na ocupação dos tempos livres dos afásicos… é necessário sensibilizar a população, em geral, desta perturbação a fim de que nos possam ajudar, de alguma forma, a tornar a vida destes seres humanos, mais feliz.

Visite-nos no nosso site (www.anafasicos.rcts.pt), nas nossas instalações (Rua Costa Malheiro, lote A1, Loja A, 1800-412 Lisboa) ou… na nossa conta (…).

Há muitos afásicos abandonados sem saber que o são e que, com uma ajuda adequada podiam ver-se mais desafogados e compreendidos por aqueles que os rodeiam.

Estou convencida de que a “Ignorância é a mãe de todas as limitações”… e que, por isso mesmo, é dever de cada um de nós combatê-la.

Conceição Matos


 

 
     
 
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